São Paulo, 4 de junho de 2010 - Enquanto o Dia do
Meio Ambiente (5 de junho) é celebrado em todo o mundo,
mais de 190 delegações estão reunidas para uma nova rodada
de negociações sobre o combate às mudanças climáticas, em
Bonn, na Alemanha. Parte do acordo a ser negociado inclui
medidas de proteção às florestas - REDD (Redução de Emissões
por Desmatamento e Degradação Florestal), que traz a ideia
de recompensar os países para protegerem suas florestas.
No entanto, sem a devida consideração da realidade social
e econômica do território, dos moradores e das mulheres,
em particular, a CARE adverte que o apoio à conservação
florestal nos países em desenvolvimento pode contribuir
para um agravamento da situação.
"Nós não podemos simplesmente ignorar as mulheres, especialmente
em comunidades rurais. Elas trabalham, vivem e cuidam das
florestas. As compensações em dinheiro podem facilmente
acabar nas mãos de pessoas poderosas, enquanto as mulheres
sem acesso a seus direitos perdem o direito de utilização
das florestas, das quais dependem para sobreviver", diz
Poul Erik Lauridsen, que está conduzindo o trabalho da CARE
Internacional de construção de políticas para mudanças climáticas.
Iniciativas de adaptação e mitigação às mudanças climáticas
que não incluem grupos de mulheres não são apenas injustas,
mas também menos eficazes. Para o diretor executivo da CARE
Brasil, Markus Brose, "aqueles que vivem os problemas e
consequências das mudanças climáticas são os melhores para
enxergar as soluções".
A CARE Brasil trabalha com mulheres em todos os territórios
onde atua para garantir que suas vozes sejam ouvidas no
debate sobre o clima e para melhorar o seu acesso à informação
e recursos. No sul da Bahia, por exemplo, dentro do trabalho
de promoção do uso racional de recursos naturais, moradoras
de três assentamentos de reforma agrária foram envolvidas
na recuperação florestal de suas regiões, em uma iniciativa
que já completa quatro anos. "O processo de recuperação
das áreas degradadas foi participativo, com o envolvimento
das famílias em todas as etapas. Vimos também uma mudança
cultural", afirma Markus.
A participação de jovens e grupos de mulheres foi essencial
para a recuperação de mais de 50 hectares de áreas degradadas,
entre margens de rios, matas ciliares, reservas legais,
regiões de nascentes e topos de morros. A ação das mulheres
foi decisiva tanto na participação ativa no trabalho de
reflorestamento, quanto na sensibilização e mobilização
de maridos e parceiros sobre a importância da restauração
florestal.
Sobre a CARE
A CARE é uma organização não-governamental global,
com mais de 60 anos de experiência, que trabalha de
diferentes formas para combater a pobreza no mundo.
Com forte atuação também em emergências humanitárias,
a CARE está presente em 72 países nas Américas, Europa,
Oriente Médio, Ásia e África. No Brasil, foi fundada
em 2001 e atua na promoção do desenvolvimento local
por meio de ações de inclusão social, fortalecimento
da economia local, uso racional dos recursos naturais,
inovação na gestão pública e mobilização social. Investe
especialmente em geração de renda e educação nos cinco
programas que possui: três em áreas rurais da Bahia,
Goiás e Piauí; e dois nas periferias das duas maiores
metrópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo.
Para mais informações visite: www.care.org.br |