Enquanto
milhares de mães comemoram com seus filhos o Dia das Crianças,
várias comunidades realizam uma manifestação contra a violência
policial a partir das 13 horas na Praça da Nova Holanda, uma
das 17 comunidades do complexo de favelas da Maré.
No
dia 1º de outubro após uma incursão policial que causou a
morte de Renan da Costa, de apenas três anos, os moradores
da favela Nova Holanda saíram às ruas em direção à porta dos
fundos do 22º Batalhão da polícia militar exigindo justiça.
A polícia reprimiu o ato com bombas de efeito moral e spray
de pimenta.
Nos
últimos 20 dias, outras quatro crianças foram assassinadas
em ações policiais: Paulo Vinícius, de sete anos em Vigário
Geral, Guilherme Custódio, de oito anos, na Ilha do Governador,
Lohan de Souza, de nove anos, no Morro do Borel e Moisés Alves,
de 16 anos no Complexo do Alemão. Essa sequência de homicídios
demonstra o despreparo da polícia militar em ações dentro
de favelas. Sabe-se
que a justiça é dispensada de modo diferente de acordo com
a posição social de cada indivíduo que a ela recorre ou que
a ela se apresenta como réu. O mesmo pode ser dito com relação
às intervenções da polícia militar, diferenciadas de acordo
com a clientela. A política de segurança pública
vigente tem promovido práticas de violência, que se traduzem
em mortes sistemáticas dos moradores de favelas e periferias
das grandes cidades, em especial, de adolescentes e jovens.
Agora vemos esta prática atingir de forma contundente a crianças.
É preciso que medidas sejam tomadas para interromper essas
ações violentas.
Como
forma de repúdio à violência praticada pela Polícia Militar
no Rio de Janeiro, diversas comunidades populares se reunirão
na manifestação Viva a criança Viva, dia 12 de
outubro próximo, para reivindicar uma apuração isenta desses
crimes cometidos em favelas. Com essa manifestação, as comunidades
esperam chamar a atenção para o problema da violência e avançar
na discussão necessária de mudança da política de segurança
pública.
As
crianças mortas nos últimos dias:
Renan
da Costa Ribeiro, três anos, morto dia primeiro de outubro
de 2006, com um tiro de fuzil na barriga, na comunidade de
Nova Holanda na Maré.
Paulo Vinícius de Oliveira Chaves, sete anos, morto atropelado
por uma viatura da Polícia Militar, dia 20 de setembro de
2006, em Vigário Geral.
Guilherme Custódio Morais, oito anos, morto dia 20 de setembro
de 2006, por bala perdida na Favela do Guarabu, na Ilha do
Governador
Lohan de Souza Santos, nove anos, morto por uma bala de fuzil
na cabeça no dia 16 de setembro de 2006, no Morro do Borel.
Moisés
Alves Tinim, 16 anos, morto dia dois de outubro de 2006, com
um tiro de fuzil, no Morro da Esperança no Complexo do Alemão.
A
CARE Brasil na Maré O Programa
Rio de Janeiro, desenvolvido pela CARE Brasil na Maré desde
2002, viabilizou a implantação de um novo núcleo do Centro
de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) com salas de
aula equipadas e biblioteca ampliando o atendimento com ações
de educação, arte e cultura para mais de 500 moradores por
dia. A parceria ainda viabiliza a manutenção de duas turmas
de pré-vestibular para jovens moradores da localidade.desenvolve
ações em duas regiões do Estado do Rio de Janeiro cujos indicadores
de pobreza estão abaixo da média nacional. O
Complexo de Favelas da Maré, no município do Rio de Janeiro,
com uma população de 132 mil habitantes, onde está
a maior concentração de população de baixa renda do Brasil.
A CARE Brasil também está no município de Duque de Caxias,
na região da Baixada Fluminense que concentra 30% da população
pobre do Estado do Rio de Janeiro.
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