Porto Príncipe, Haiti - Um mês
após o terremoto catastrófico que abalou o Haiti, a CARE e
outras organizações humanitárias estão numa corrida contra
o tempo para providenciar abrigos à prova de água e estrutura
sanitária antes da chegada da estação chuvosa, em março. O
objetivo é evitar a possibilidade de novas tragédias e o surto
de doenças.
O terremoto deixou cerca de 700 mil desabrigados na cidade
de Porto Príncipe. A maioria vivendo em acampamentos temporários
superlotados, em barracas improvisadas com estacas, plásticos,
lençóis e chapas de zinco - suficientes para proteger contra
o sol, mas ineficazes contra as chuvas torrenciais.
"Precisamos arrumar abrigo impermeável para essas pessoas.
As infecções respiratórias estão aumentando porque elas estão
dormindo no chão e ficam expostas à umidade e orvalho", diz
Lizzie Babister, especialista em abrigo da CARE no Haiti.
"O esgoto será a próxima questão, porque existem excrementos
perto das àreas e a água pode invadir as barracas. Será um
verdadeiro desafio fazer isto a tempo para a temporada de
chuvas em março".
A CARE vai providenciar abrigo de emergência para 8.500 famílias
(cerca de 42.500 pessoas). A estratégia é utilizar lona em
Porto Príncipe e barracas no interior do país. Enquanto as
tendas podem parecer a solução mais lógica, simplesmente não
existe espaço suficiente nas àreas públicas do centro da capital.
As barracas temporárias que surgiram depois do terremoto dividem
espaço entre si, muitas vezes utilizando as mesmas estacas
para suporte.
"Uma tenda típica para uma família ocupa um espaço de 16m2,
o que equivale a quatro vezes o espaço que as pessoas ocupam
hoje nas àreas urbanas ", diz Babister. "Se começarmos a distribui-las
no centro de Porto Príncipe, vamos desalojar três quartos
da população. A solução imediata para as áreas congestionadas
não são tendas, são lonas. Muitas delas e rápido".
Já em locais menos povoados como a zona rural, as tendas familiares
são uma boa solução temporária. Mas transportar tendas suficientes
para atender a todas as pessoas necessitadas pode levar meses,
muito tarde para enfrentar a estação chuvosa. Em contrapartida,
os carregamentos de lonas impermeáveis de polietileno, com
dimensões 4X 6m, podem chegar ao Haiti em poucos dias ou semanas.
Isto vai manter as pessoas secas enquanto as agências humanitárias
começam a implementar soluções de longo prazo para a crise
de moradia.
A higiene e saúde também são fatores de risco e para evitar
uma crise sanitária, a CARE vai construir cerca de 3 mil latrinas.
"Estamos fazendo uma 'triagem sanitária' nos acampamentos
construídos nos morros ou áreas sem acesso a latrinas", diz
Paul Shanahan, especialista em água e saneamento da CARE.
A CARE também está removendo os excrementos acumulados nas
àreas de abrigo. "Não é bonito, mas é necessário que seja
feito", conta Shanahan. "Neste momento, nosso maior medo é
o surto de doenças. Uma coisa é ver metade de sua família
morrer num terremoto. Outra coisa é assistir a outra metade
morrer lentamente de diarréia. É mais do que qualquer um pode
suportar";
Além da construção de latrinas e remoção de resíduos sólidos,
a CARE está fornecendo informações sobre asseio pessoal e
distribui kits de higiene com itens como sabonetes e produtos
de limpeza.
O próximo obstáculo a ser enfrentado no Haiti é a estação
de furacões, que começa em junho. Porto Príncipe está cercada
por montanhas que oferecem uma proteção natural a furacões,
mas as enchentes e os deslizamentos de terra nas encostas
são um grande risco.
"Temos escombros dos edifícios que podemos reutilizar como
defesa contra as inundações, mas precisamos começar a planejar
isso agora", acredita Babister. "Tudo é uma corrida contra
o tempo".
Apesar dos desafios, um grande progresso foi feito pelo povo
haitiano e a comunidade humanitária na assistência a quase
três milhões de afetados pelo terremoto. Até hoje, a CARE
já alcançou mais de 184.737 pessoas com comida, água potável,
abrigo, água e saneamento, suprimentos de emergência e saúde
reprodutiva para mulheres grávidas e lactantes. Muito mais
ainda precisa ser feito.
SOBRE A CARE
Fundada em 1945, a CARE é uma rede global que tem a missão
de combater a pobreza e trabalhar para o desenvolvimento das
comunidades. Presente em 72 países, a organização possui ampla
experiência de resposta a desastres e atua em emergências
humanitárias e na promoção do desenvolvimento em comunidades
de baixa renda. Nos últimos anos, a CARE já atuou em emergências
como Darfur e o tsunami na Ásia, em 2004.
www.careinternational.org
SOBRE A CARE BRASIL
Fundada em 2001 e membro da rede CARE, a CARE Brasil é uma
organização não-governamental que tem a missão de combater
a pobreza e promover o desenvolvimento local em regiões de
baixo IDH. A organização desenvolve programas nos estados
de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Piauí, Goiás e Amazonas.
As diretrizes da CARE Brasil são fortalecer e impulsionar
o desenvolvimento de comunidades, visando capacitar, envolver,
gerar e aumentar a autonomia das pessoas no acesso a direitos
e na construção de seu futuro. www.care.org.br |