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Corrida contra a estação chuvosa no Haiti

12/02/2010

CARE faz um apelo para ações de saneamento e distribuição em massa de lonas

 

Porto Príncipe, Haiti - Um mês após o terremoto catastrófico que abalou o Haiti, a CARE e outras organizações humanitárias estão numa corrida contra o tempo para providenciar abrigos à prova de água e estrutura sanitária antes da chegada da estação chuvosa, em março. O objetivo é evitar a possibilidade de novas tragédias e o surto de doenças.

O terremoto deixou cerca de 700 mil desabrigados na cidade de Porto Príncipe. A maioria vivendo em acampamentos temporários superlotados, em barracas improvisadas com estacas, plásticos, lençóis e chapas de zinco - suficientes para proteger contra o sol, mas ineficazes contra as chuvas torrenciais.

"Precisamos arrumar abrigo impermeável para essas pessoas. As infecções respiratórias estão aumentando porque elas estão dormindo no chão e ficam expostas à umidade e orvalho", diz Lizzie Babister, especialista em abrigo da CARE no Haiti. "O esgoto será a próxima questão, porque existem excrementos perto das àreas e a água pode invadir as barracas. Será um verdadeiro desafio fazer isto a tempo para a temporada de chuvas em março".

A CARE vai providenciar abrigo de emergência para 8.500 famílias (cerca de 42.500 pessoas). A estratégia é utilizar lona em Porto Príncipe e barracas no interior do país. Enquanto as tendas podem parecer a solução mais lógica, simplesmente não existe espaço suficiente nas àreas públicas do centro da capital. As barracas temporárias que surgiram depois do terremoto dividem espaço entre si, muitas vezes utilizando as mesmas estacas para suporte.

"Uma tenda típica para uma família ocupa um espaço de 16m2, o que equivale a quatro vezes o espaço que as pessoas ocupam hoje nas àreas urbanas ", diz Babister. "Se começarmos a distribui-las no centro de Porto Príncipe, vamos desalojar três quartos da população. A solução imediata para as áreas congestionadas não são tendas, são lonas. Muitas delas e rápido".

Já em locais menos povoados como a zona rural, as tendas familiares são uma boa solução temporária. Mas transportar tendas suficientes para atender a todas as pessoas necessitadas pode levar meses, muito tarde para enfrentar a estação chuvosa. Em contrapartida, os carregamentos de lonas impermeáveis de polietileno, com dimensões 4X 6m, podem chegar ao Haiti em poucos dias ou semanas. Isto vai manter as pessoas secas enquanto as agências humanitárias começam a implementar soluções de longo prazo para a crise de moradia.

A higiene e saúde também são fatores de risco e para evitar uma crise sanitária, a CARE vai construir cerca de 3 mil latrinas. "Estamos fazendo uma 'triagem sanitária' nos acampamentos construídos nos morros ou áreas sem acesso a latrinas", diz Paul Shanahan, especialista em água e saneamento da CARE.

A CARE também está removendo os excrementos acumulados nas àreas de abrigo. "Não é bonito, mas é necessário que seja feito", conta Shanahan. "Neste momento, nosso maior medo é o surto de doenças. Uma coisa é ver metade de sua família morrer num terremoto. Outra coisa é assistir a outra metade morrer lentamente de diarréia. É mais do que qualquer um pode suportar";

Além da construção de latrinas e remoção de resíduos sólidos, a CARE está fornecendo informações sobre asseio pessoal e distribui kits de higiene com itens como sabonetes e produtos de limpeza.

O próximo obstáculo a ser enfrentado no Haiti é a estação de furacões, que começa em junho. Porto Príncipe está cercada por montanhas que oferecem uma proteção natural a furacões, mas as enchentes e os deslizamentos de terra nas encostas são um grande risco.

"Temos escombros dos edifícios que podemos reutilizar como defesa contra as inundações, mas precisamos começar a planejar isso agora", acredita Babister. "Tudo é uma corrida contra o tempo".

Apesar dos desafios, um grande progresso foi feito pelo povo haitiano e a comunidade humanitária na assistência a quase três milhões de afetados pelo terremoto. Até hoje, a CARE já alcançou mais de 184.737 pessoas com comida, água potável, abrigo, água e saneamento, suprimentos de emergência e saúde reprodutiva para mulheres grávidas e lactantes. Muito mais ainda precisa ser feito.

 

SOBRE A CARE

Fundada em 1945, a CARE é uma rede global que tem a missão de combater a pobreza e trabalhar para o desenvolvimento das comunidades. Presente em 72 países, a organização possui ampla experiência de resposta a desastres e atua em emergências humanitárias e na promoção do desenvolvimento em comunidades de baixa renda. Nos últimos anos, a CARE já atuou em emergências como Darfur e o tsunami na Ásia, em 2004.
www.careinternational.org

SOBRE A CARE BRASIL

Fundada em 2001 e membro da rede CARE, a CARE Brasil é uma organização não-governamental que tem a missão de combater a pobreza e promover o desenvolvimento local em regiões de baixo IDH. A organização desenvolve programas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Piauí, Goiás e Amazonas. As diretrizes da CARE Brasil são fortalecer e impulsionar o desenvolvimento de comunidades, visando capacitar, envolver, gerar e aumentar a autonomia das pessoas no acesso a direitos e na construção de seu futuro. www.care.org.br

 
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