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05/12/2008

ESTUDIOSOS DE QUESTÕES URBANAS CONCORDAM: CRISE FINANCEIRA PODE SER USADA EM FAVOR DAS CIDADES

 
 
 

Reunidos em São Paulo na Urban Age South America, especialistas do Brasil e do Exterior consideram o momento propício para a implantação de projetos que aliem sustentabilidade e mobilidade

 
 
 
Reunidos em São Paulo durante dois dias, arquitetos, urbanistas e sociólogos de renome internacional foram unânimes: a atual crise financeira poderá se tornar uma boa chance para que as cidades - que hoje abrigam 50% da população mundial e respondem por 75% das emissões de CO2 - deixem de ser meras aglomerações humanas para se tornar concentrações em que desenvolvimento social, negócios e sustentabilidade coexistam em equilíbrio.
 
O arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, considerado uma importante referência internacional em soluções urbanas, resumiu a visão dos outros conferencistas do evento realizado em conjunto pela London School of Economics e pela Alfred Herrhausen Society, ligada ao Deutsche Bank: "Não percamos a chance de aproveitar este momento para atrair investimentos que gerem empregos, riquezas e qualidade de vida", disse.
 
Defensor de soluções eficientes, acessíveis e de rápida implementação - cujos resultados já foram aprovados em Curitiba e em outras cidades do mundo -, Lerner reforçou a importância de se tornar as cidades mais fáceis de ser entendidas e, portanto, usadas por seus habitantes. "Sustentabilidade urbana é um conjunto de fatores que equilibra facilidade de deslocamento das pessoas por meios de transporte eficientes, menos poluição ambiental e sonora, redução e reciclagem de lixo, entre outros fatores", disse Lerner.
 
Amanda Burden, diretora do Departamento de Planejamento da Cidade de Nova York, seguiu na mesma linha de raciocínio de Lerner, ao dar o exemplo da recuperação da parte baixa da ilha de Manhattan: de zona urbana degradada ainda antes dos ataques terroristas do 11 de setembro, ela foi recuperada e atraiu investimentos privados, tornando-se um dos pontos mais procurados da cidade tanto para moradia como para lazer.
 
"Áreas que ficam fechadas 16 horas por dia, funcionando somente durante o horário de expediente e permanecendo fechadas à noite estão condenadas à degradação; por isso, é fundamental que as cidades se tornem espaços multiuso", reforçou Lerner, referindo-se às áreas centrais dos grandes centros urbanos. O local não poderia ser mais emblemático: a Sala São Paulo, um dos espaços públicos mais admirados da capital paulista depois de sua recuperação, onde funciona uma estação de trens que diariamente trazem paulistanos para o trabalho e os levam para casa, na periferia, ao fim do expediente.
 
Sobre o Urban Age
 
O Urban Age engaja-se na crescente urbanização do mundo através de eventos e pesquisa que moldam o pensamento de lideres urbanos e a prática do

desenvolvimento urbano sustentável. Iniciado pelo Programa de Cidades na London School of Economics and Political Science e pela organização Alfred Herrhausen Society, do Deutsche Bank, o Urban Age foi estruturado em meio a um alcance internacional que apóia a criação de uma nova agenda urbana para cidades globais. Sua rede interdisciplinar mundial de especialistas em urbanismo lidera uma investigação de políticas 'no terreno', desenvolvimento e projetos com informações atuais coletadas e compartilhadas em conferencias, workshops, seminários e publicações em cidades tão diversas como Nova York, Xangai, Londres, Cidade do México, Johanesburgo, Berlim, Mumbai, São Paulo e Istambul.

 

 
 
 
 
 

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