ESTUDIOSOS DE QUESTÕES URBANAS CONCORDAM: CRISE FINANCEIRA PODE SER USADA EM FAVOR DAS CIDADES |
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Reunidos em São Paulo na Urban Age South America, especialistas do Brasil e do Exterior consideram o momento propício para a implantação de projetos que aliem sustentabilidade e mobilidade
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Reunidos em São Paulo durante dois dias, arquitetos,
urbanistas e sociólogos de renome internacional foram
unânimes: a atual crise financeira poderá se tornar
uma boa chance para que as cidades - que hoje abrigam
50% da população mundial e respondem por 75% das emissões
de CO2 - deixem de ser meras aglomerações humanas para
se tornar concentrações em que desenvolvimento social,
negócios e sustentabilidade coexistam em equilíbrio.
O arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner,
considerado uma importante referência internacional
em soluções urbanas, resumiu a visão dos outros conferencistas
do evento realizado em conjunto pela London School of
Economics e pela Alfred Herrhausen Society, ligada ao
Deutsche Bank: "Não percamos a chance de aproveitar
este momento para atrair investimentos que gerem empregos,
riquezas e qualidade de vida", disse.
Defensor de soluções eficientes, acessíveis e de
rápida implementação - cujos resultados já foram aprovados
em Curitiba e em outras cidades do mundo -, Lerner reforçou
a importância de se tornar as cidades mais fáceis de
ser entendidas e, portanto, usadas por seus habitantes.
"Sustentabilidade urbana é um conjunto de fatores que
equilibra facilidade de deslocamento das pessoas por
meios de transporte eficientes, menos poluição ambiental
e sonora, redução e reciclagem de lixo, entre outros
fatores", disse Lerner.
Amanda Burden, diretora do Departamento de Planejamento
da Cidade de Nova York, seguiu na mesma linha de raciocínio
de Lerner, ao dar o exemplo da recuperação da parte
baixa da ilha de Manhattan: de zona urbana degradada
ainda antes dos ataques terroristas do 11 de setembro,
ela foi recuperada e atraiu investimentos privados,
tornando-se um dos pontos mais procurados da cidade
tanto para moradia como para lazer.
"Áreas que ficam fechadas 16 horas por dia, funcionando
somente durante o horário de expediente e permanecendo
fechadas à noite estão condenadas à degradação; por
isso, é fundamental que as cidades se tornem espaços
multiuso", reforçou Lerner, referindo-se às áreas centrais
dos grandes centros urbanos. O local não poderia ser
mais emblemático: a Sala São Paulo, um dos espaços públicos
mais admirados da capital paulista depois de sua recuperação,
onde funciona uma estação de trens que diariamente trazem
paulistanos para o trabalho e os levam para casa, na
periferia, ao fim do expediente.
Sobre o Urban Age
O Urban Age engaja-se na crescente urbanização do
mundo através de eventos e pesquisa que moldam o pensamento
de lideres urbanos e a prática do
desenvolvimento urbano sustentável. Iniciado pelo Programa de Cidades na London School of Economics and Political Science e pela organização Alfred Herrhausen Society, do Deutsche Bank, o Urban Age foi estruturado em meio a um alcance internacional que apóia a criação de uma nova agenda urbana para cidades globais. Sua rede interdisciplinar mundial de especialistas em urbanismo lidera uma investigação de políticas 'no terreno', desenvolvimento e projetos com informações atuais coletadas e compartilhadas em conferencias, workshops, seminários e publicações em cidades tão diversas como Nova York, Xangai, Londres, Cidade do México, Johanesburgo, Berlim, Mumbai, São Paulo e Istambul.
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